Quando ouvi o primeiro: pra mim já deu!



Que bom que continua por aqui dedicando uma dose da sua atenção. Meu compromisso é fazer este seu tempo valer a pena e, por isso, estou trazendo alguns aprendizados que antes estavam restritos a serem compartilhados com os meus mentorados.


Hoje vou falar sobre o que aprendi quando recebi, olho no olho, um ‘’pra mim já deu!’’. Não sei se você já passou por isso, mas eu tive essa experiência e nem foi com um cliente, foi com uma pessoa que fazia parte da minha equipe. Você já teve alguém que parecia estar insatisfeito em trabalhar ao seu lado? Espero que não, mas se já teve, bem-vindo ao clube das provas vivas de que alguém se sentir desagradado de vez em quando pela gente não nos mata. E pode até nos ensinar bastante.


De volta ao tema: geralmente as pessoas dedicam-se a polir um pouco suas palavras na hora de encerrar uma relação. Elas não querem mais estar junto, mas normalmente também não querem que fiquemos magoados. A não ser que elas estejam sentindo-se extremamente frustradas, ressentidas ou alimentando alguma outra emoção densa que as leve a tomar uma medida drástica e, ainda que aparentemente, definitiva.


Enfim, eu ouvi assim, no bruto, e confesso que o primeiro impacto foi bem desconfortável mas, por uma razão ou outra, em questão de 2 ou 3 segundos, minha mente processou tudo e já começou a extrair lições que anos depois continuam sendo muito válidas para mim e para quem compartilho. Uma delas está aqui:


Quando alguém diz, sem polimento, ‘’pra mim já deu!’’ está tentando emitir uma reação potente e definitiva frente a um sentimento tão presente e real para ela, que fica muito mais difícil voltar atrás. Quase impossível. Tende a estar muito mais para uma reação vingativa, de condenação, punição e castigo, do que para um desejo genuíno e deliberado de liberdade.


A armadilha: grande parte das vezes, quem diz isso pra gente sem ‘’papas na língua’’ somos nós mesmos. Talvez nunca tenha acontecido com você de dar um basta em alguma situação e quase jurado para si mesmo que nunca mais passaria por isso novamente e quando esfriou a cabeça, viu que talvez estivesse dando peso demais a algo que não precisava ser tratado sem chance de se ajustar ou de ter um espaço para mudar.


Quando fazemos isso a nós mesmos, duas coisas podem acontecer: cria-se uma cicatriz emocional sobre aquela situação cujo sentimento de medo, raiva ou tristeza pode acompanhar por uma vida inteira e também desencadeia uma sequência de microdecisões que podem sabotar tudo o que estiver pela frente que ouse se assemelhar à situação resistida. É aí que a vaca vai pro brejo nos outros projetos que, aparentemente, não tinham nada a ver com isso.


‘’Pra mim já deu!’’ é um trovão, um tiro para o alto na tentativa de retomar o controle da situação. É humano, é compreensível, mas raramente ele cumpre de forma eficaz o seu papel. Ao fundo, apenas reafirma que estamos perdendo o controle. O perigo é que afirmações do tipo ‘’pra mim já deu!’’ desencadeiam sequências potentes de ações sabotadoras, como uma avalanche cujo único propósito é soterrar a realidade à qual resistimos.


Já viu aquele atleta de maratona que, nos últimos metros diminui o ritmo e acaba sendo ultrapassado? O piloto de corridas que estava com a prova ganha e perde nas últimas curvas ou até na reta final por desatenção ao adversário? Aquele contrato que estava quase fechado mas o vendedor esqueceu a data da reunião ou atrasou o envio da proposta formal? É possível que eles não estivesse subestimando o outro lado, nem que não fosse pessoas responsáveis. Muitas vezes o ponto de ‘’pra mim já deu’’ chegou na mente deles e eles encerraram a relação antes da hora. Se isso acontece até com os campeões...


Não estou dizendo que você ou eu não podemos abrir mão de algo deliberadamente, mas estou trazendo o ponto de vista de que darmos um ‘’basta’’ por reação às coisas não é abrir mão, mas sim engolir sapo. Tanto nossa consciência sabe disso que, ao ficarem entalados na garganta os sapos acabam virando problemas de saúde como dores de cabeça persistentes, olho tremendo, sono perturbado, ansiedade, vontade de comer mesmo sem fome, etc.


O portfolio de sabotagens é grande. Isso quando não chegam a criar vácuos de clientes, sequências de cancelamentos de contratos, dívidas que aparecem do nada ou tragédias que fazem a gente perder parte do que construímos.


Tudo isso pode ser a consciência lembrando a gente de baixar a bola e usar nosso poder criativo para ajudar o mundo sendo as pessoas grandiosas que nascemos para ser. Principalmente em relação a nós mesmos. As pessoas ainda tem o mundo inteiro delas para se defender da gente, mas nós temos potencial de sermos algozes muito mais ferozes porque conhecemos a fundo nossas próprias fragilidades.


Grava essa: em relação aos seus projetos empreendedores, quando perceber que declamou para si mesmo algo do tipo ‘’pra mim já deu’’ – sonora ou mentalmente - imediatamente após, deve-se acionar uma barragem frente à avalanche enquanto ela ainda pode ser detida. Essa barragem chama-se COMPROMISSO EXTERNO DE VALOR.


Pode ser um contrato que não te deixa desistir, pode ser envolvendo outras pessoas na relação para poder ponderar e ter tempo de rever, pode ser com um mentor que lhe ajude nas tomadas de decisão, pode ser uma grana que você não pode sacar a qualquer momento.


Estabelecer compromissos externos de valor é uma boa forma de manter-se conectado tempo suficiente para deliberar. Se pudermos desistir sem ter nada de valor a perder, a avalanche da sabotagem estará sempre a rondar nossas decisões e realizações.




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